
Quando se fala no bairro do Ipiranga logo nos vem na memória as imagens de monumentos e museus, mas o que poucos sabem, é que ali bem perto do Museu do Ipiranga se encontra umas das maiores favelas do Brasil. A comunidade do Heliópolis tem 125 mil habitantes ,ocupando um milhão de metros quadrados. Heliópolis caracteriza-se por sua extrema pobreza e insuficiência de recursos sociais para atender as necessidades da população local, não dispondo de área de lazer, esporte e cultura.

Por coincidência encontramos Dona Valda no sábado dia 09/05, em seu aniversário de 69 anos . Vendedora ambulante a simpática senhora nos contou um pouco do seu cotidiano. Muita espontânea Dona Valda temia que fossemos funcionários da prefeitura e nos disse que isso faz parte de sua rotina: “Eles vêm aqui e tomam tudo! Não deixam um pobre no fim da vida trabalhar em paz!”. Perguntamos a ela se compensava ficar trabalhando ali, na iminência de ter seus produtos confiscados, e ela nos respondeu que era isso ou viver da aposentadoria. “Além do mais eu gosto de trabalhar!”, disse ela sorrindo. Mudando um pouco de assunto, ela também nos disse que mora ali no bairro há quase 30 anos, fez questão de ressaltar a tranquilidade do bairro e nos mostrou muito orgulho ao falar do Ipiranga, onde criou suas duas filhas.

Prática comum em faróis de todo o Brasil, no Ipiranga não seria diferente. Pode ser um assunto bastante “clichê”, mas a realidade é que crianças deixam de estar nas escolas e passam horas em semáforos mostrando suas habilidades e tentando ganhar algum dinheiro, habilidades essas que poderiam ser usadas de outras maneiras, quem sabe até de maneira profissional e aí sim ganhar dinheiro com seu trabalho de forma digna e segura.

Morador recente do bairro Jorge Luís de 55 anos mudou–se para o Ipiranga a pouco mais de 1 ano. A pouco tempo separado da esposa , escolheu o Ipiranga para fazer ser seu tratamento de saúde devido a tranquilidade do lugar. Hoje trabalha com reciclagem, mas já fez de tudo um pouco: pedreiro, eletricista e por último como vendedor ambulante. Jorge fala com uma certa tristeza de sua família, ele tem esperança de reatar o casamento, pois seu maior desejo é reconstituir sua família. (Na foto Jorge mostra seu filho Alex de 11 anos, a quem diz ser sua cara).
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